Jornal O Globo - Ventania Rio de Janeiro - RJ - 29-07-2026 Ventos de mais de 90 km-h atingem o Rio - Foto: André Sarmento
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No dia 29 de julho de 2026, rajadas que passaram de 90 km/h, chegando a mais de 100 km/h em pontos como o Aeroporto do Galeão, atingiram o Rio de Janeiro e a Região Metropolitana. O resultado foi apagão em bairros inteiros, quedas de árvores em toda a cidade e, mais grave, três mortes, duas delas causadas pelo desabamento de um muro em Santa Teresa.
Nesta sexta-feira (07/08), a Defesa Civil emitiu novo alerta severo, colocando a cidade em Estágio 2 de risco, com previsão de ventos fortes e chuva.
Dois eventos climáticos severos em menos de duas semanas não são uma coincidência, estamos enfrentando severas mudanças climáticas em todo o Mundo, mas depois de ler essa introdução você me pergunta: ?Tá Felipe, eu vi as notícias, mas por que você está falando sobre isso no seu blog??, por um simples motivo, muitos gestores de imóveis, síndicos ou empresas precisam levar em conta em seus planejamentos anuais a inspeção da fachada para não precisarem emitir nota de pesar caso venha ocorrer uma fatalidade.
Por que fachadas e coberturas são pontos mais vulneráveis?
Quando o vento é forte, como esse que pudemos presenciar recentemente, ele não vai testar a estrutura do prédio como um todo, ele testa especificamente os pontos de fixação: brises, revestimentos, esquadrias, telhas, estruturas metálicas e qualquer elemento preso à fachada ou à cobertura.
Um revestimento com aderência comprometida, uma fixação corroída ou uma estrutura metálica sem manutenção há anos são exatamente os pontos que cedem primeiro e muitas vezes alguns desses pontos não possuem um sinal visível a olho nu antes do evento.
O muro que desabou em Santa Teresa, por exemplo, falhas estruturais que existem silenciosamente por anos só se tornam visíveis quando um evento extremo aplica a carga que elas não foram inspecionadas para suportar.
Felipe Penteado, CEO da Felk, explica a importância da inspeção de fachada preventiva
Uma inspeção técnica de fachada identifica, antes do evento climático, os pontos de risco que não aparecem numa vistoria visual rápida:
Fixações de brises e elementos decorativos com sinais de fadiga;
Revestimentos com perda de aderência (destacamento iminente);
Esquadrias e vidros com vedação comprometida;
Estruturas metálicas com corrosão avançada.
Esse diagnóstico é o que transforma "esperar o alerta da Defesa Civil e torcer" em "saber exatamente quais pontos do imóvel precisam de reforço antes da próxima frente fria".
?Um planejamento de manutenção preventiva muda todo o cenário?, afirma Felipe Penteado.
Identificar o risco é a primeira etapa. Quando é realizada uma inspeção técnica de fachada e se obtém o laudo, fica mais fácil definir as prioridades e organizar um planejamento de reparos emergências.
A segunda etapa, é iniciar um plano de manutenção preventiva. Assim é possível, além de ter um planejamento de prioridades, ter também um planejamento financeiro.
Vou deixar aqui um conselho: dê prioridade para reforço de ancoragens, revisão de fixações, substituição de materiais degradados em coberturas e fachadas, esses são pontos críticos. Para esse tipo de trabalho, a Felk conta com uma equipe treinada em alpinismo industrial, que faz o acesso por corda para chegar aos pontos críticos sem necessidade de andaime.
Felipe Penteado explica o que fazer para se prevenir após esse período
Infelizmente não é possível resolver algumas questões de imediato, pois precisamos de cautela para realizar uma inspeção de fachada. O acesso da equipe da Felk Engenharia é realizado por cordas, o que chamamos de alpinismo industrial, e nesse processo avaliamos diversos pontos e aspectos da fachada do prédio.
Com a cidade recebendo o alerta da Defesa Civil informando que estamos em Estágio 2, a recomendação imediata para qualquer gestor de imóvel ou condomínio é:
Verificar visualmente elementos soltos em varandas, terraços e áreas externas;
Em casos de prédios residenciais com cobertura, orientar ao morador que remova todo e qualquer objeto que possa representar qualquer tipo de perigo ao entorno;
Em casos onde o imóvel já apresenta sinais visíveis de degradação, isolar e identificar a área. Após esse período de ventanias e temporais, realizar uma inspeção de fachada urgente.
Esse tipo de evento não é mais exceção no Rio de Janeiro, e nem no Mundo, e realizar uma inspeção de fachada, reparos e planejar manutenções preventivas são partes fundamentais do planejamento que qualquer gestor de patrimônio.
Bio do autor (rodapé do post)
Felipe é engenheiro e responsável técnico da Felk Engenharia, com mais de 25 anos de experiência em projetos complexos do setor de óleo e gás, incluindo o comissionamento do FPSO P-63. Hoje lidera os projetos de reforma de fachadas, alpinismo industrial e gestão de risco em engenharia da Felk.